segunda-feira, 27 de junho de 2016

Ícaro - Parte II




Como acho que eu sou a colabora deste Blog com maior número de filhos – já escrevi sobre a Paloma e sobre o Andrei – agora chegou a vez de falarmos no “filho número 3”, Ícaro.

O nome do Ícaro foi um pouquinho complicado de escolher. O pai nesse caso queria nomes simples e demasiadamente comuns, exatamente o oposto do meu gosto pessoal. E entramos numa briga sem fim. Portanto, o Ícaro foi chamado por outro nome até ter 2 dias de vida.

Briga essa que se estendeu até o momento de registrar o bebê. Ele nasceu sendo chamado por dois nomes, e não entrávamos em consenso de jeito nenhum. Na porta do cartório, estávamos lá deixando claro um ao outro que aquele nome não seria aceito, quando meu marido, cansado de tanta indecisão, dispara: “E que tal Ícaro?”.

Eu estava igualmente cansada e esse era um nome do meu agrado. Aceitei na hora, e batemos o martelo. “E o segundo nome?” – pergunta o marido, já que todos os irmãos têm nomes compostos – e eu, mais cansada ainda, respondo  - “João”. Então ficou Ícaro João.

Evidentemente, eu não teria batido o martelo com tanta facilidade se não fosse gostar muito do nome. Esse era um dos meus preferidos, é mitológico e tem um significado simbólico muito interessante. Gostaria de dizer que esse foi o motivo da sugestão do meu marido, mas na verdade, ele só sugeriu por conta de um personagem que Mateus Solano interpretava na novela “Morde e Assopra” (Globo, 2011).

Eu mesma me oponho totalmente a novelas na TV aberta, mas essa até era fofa, e o personagem mais fofo ainda. Ele era um cientista, que supostamente teria perdido a esposa num acidente, e então criou um robô (Naomi) idêntico à sua amada. Depois, com o retorno da verdadeira Naomi, ele precisou lidar com o conflito entre o robô e a humana. 

Segundo a mitologia grega, Ícaro era o único filho de Dédalo, o inventor. Para escaparem de uma prisão, Dédalo desenvolveu asas de cera para que ele e seu filho pudessem escapar voando. Antes de instalar o par de asinhas nos pés do seu filho, recomendou duramente para que o rapaz não voasse muito perto do mar, nem muito perto do sol, pois o calor poderia derreter a cera e então ele cairia.

No entanto, quando conseguiu escapar e sentiu a emoção de voar, Ícaro subiu cada vez mais alto, se aproximando muito do sol, ignorando todos os apelos de seu pai. Quando o calor foi muito intenso, a cera das asas dos pés de Ícaro derreteu e ele caiu na imensidão, e nunca mais foi visto.

Bem, a história mitológica é um pouco trágica. Mas eu gosto de pensar nela pelo lado da rebeldia e do desejo de liberdade de Ícaro, ao voar cada vez mais alto e cada vez mais próximo do sol. Ele teve um fim triste, mas antes disso, voou até onde nenhum outro homem conseguiu voar no seu tempo.

De acordo com o Behind The Name – acreditando ser a fonte mais confiável – Ícaroprovavelmente significa “seguidor”. É a forma espanhola, portuguesa e italiana do nome Icarus (ou Ícaro).

Quanto à popularidade, é um nome raro no Brasil. Em São Paulo, segundo dados da Arpen/SP (2014), foram 82 meninos registrados com o nome Ícaro. Em Portugal, aparentemente, não há nenhum registro de Ícaro em 2014.

Portanto, um nome raríssimo nesses dois países de língua portuguesa. Infelizmente não dispomos de dados dos outros países de língua portuguesa, e não temos como prever como esse nome se comporta em Moçambique, Angola, e outros.

Enfim, acredito que se trata de uma alternativa interessante aos nomes populares e já batidos que figuram no topo da lista.



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