sexta-feira, 3 de junho de 2016

Ibiacema




Ibiacema é um nome indígena, de origem tupi-guarani, predominantemente feminino, que significa, “montanha de terra”. 

Aparentemente, seria a junção do sufixo yby – terra, de acordo com o Curso de Tupi Antigo e Língua Geral (Nhengatu), mas esbarramos no fato de sema (como em piracema) indicar saída (no caso de Piracema, saída dos peixes), então, Ibiacema estaria muito mais perto de “saída da Terra” do que “Montanha de Terra”.

Porém, como já sinalizamos em outras postagens, o tupi-guarani possui vários dialetos, e cada um se comporta de uma maneira. A Língua Geral foi uma língua surgida da evolução do Tupi Antigo, a partir da segunda metade do século XVII, quando, então, era falada por todos os membros do sistema colonial brasileiro: negros, brancos, índios tupis e não tupis, mestiços. 

Já o Tupi não é uma língua, mas uma família de mais de vinte línguas. Inclui o Tapirapé, o Wayampi, o Kamayurá, o Guarani (com seus dialetos), o Parintintin, o Xetá, o Tupi Antigo, etc. Existem línguas Tupi-Guarani, não “o” Tupi-Guarani. Dessas, o Tupi Antigo é a que foi estudada primeiro e a que mais influenciou a formação da cultura brasileira.

Agora imaginem a quantidade de variações que cada sufixo pode ter em cada um desses dialetos, e sim, acabamos ficando com o significado “montanha de terra” e acreditando na fidelidade da informação por parte de quem pesquisou.

O que sei depois dessa pesquisa é que existe uma Rua Ibiacema, no município de Santo André, São Paulo. Pelo significado, creio eu, acabou se tornando mais topônimo do que um antropônimo (virou mais nome geográfico do que nome próprio, para traduzir as expressões mais eruditas).

Acho que o que não facilita para Ibiacema são as letras inicias –Ibia. “Bia” seria aceito numa boa, mas –Ibia não flui. A terminação “cema” é a mesma de Iracema, logo, sem maiores problemas de reconhecimento, ou então, Moema, que também é uma palavra indígena.


Por essa razão, acredito que pais ousados poderiam sim escolher Ibiacema sem maiores problemas, especialmente se há alguma ligação com a cultura indígena – e no Brasil, é bem difícil quem não tenha. 






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