quinta-feira, 26 de maio de 2016

Enarê




Enarê é um nome indígena, predominantemente do gênero masculino, que supõe-se significar “deus dos rios” ou “deus dos índios”. Em algumas fontes, encontrei que Enarê era uma divindade dos parecis, antigos iratis. Apesar de ser masculino, é um nome bem neutro que não apresentaria maiores problemas em ser usado por mulheres.

Os Paresí (ou parecis) têm uma antiga história de contato com os não índios. As primeiras referências feitas a eles datam do fim do século XVII e, desde então, o contato foi se intensificando e gerando conseqüências muitas vezes devastadoras para o povo.  Cada subgrupo paresí enfrentou diferentes situações, devido à proximidade ou distância que se encontraram dos não índios. A intensa relação com os jesuítas da Missão Anchieta (MIA) quase ocasionou a extinção de um dos dialetos falados por eles e trouxe transformações nos aspectos socioculturais deste povo, já que as uniões entre os diferentes povos indígenas eram incentivadas.

No facebook, encontrei um menino chamado Enarê que mora em Fortaleza. Fora isso, não encontrei mais ninguém do sexo masculino, embora tenha aparecido três resultados de mulheres chamadas Enarê. É um dos nomes indígenas raríssimos, esquecidos e subutilizados.

Na lista da Arpen/SP, não encontrei nenhum bebê nascido no ano de 2015 chamado Enarê, e a mesma situação ocorre em 2014. Embora não tenha nenhum (ou nenhuma) Enarê, encontrei vários outros nomes – alguns inventados, outros não – com a terminação em “ê”. Listando: Kayrê, Iberê, Nauê, Aruê, Akauê, Kauê / Cauê, Keuê, Kaê / Caê, Ynaê / Inaê, Inaiê / Ynaiê, Eniê, Moniê, Crissiê, Lizziê, Juliêh, Auriê, Lidriê, Tiê, Mariê, Cainê, Renê, Kayodê, Yejidê, Maitê, Maylê. Itamê, Aymê / Aimê, Amê, Anyê, Meryê, Natalyêh, Renyê, Tawê.

Assim, se essa terminação foi capaz de agradar a tanta gente, a ponto de serem inclusive inventados nomes inexistentes, Enarê também pode ser do agrado de muita gente, considerando ainda que existe, tem significado e etimologia indígena, embora isso seja muito difícil de comprovar nos dias de hoje, dado o fato das línguas indígenas estarem, em sua maioria, mortas, e poucos registros terem sido feitos.

No IBGE (Nomes no Brasil, Censo 2010), Enarê não tem nenhum registro aparente. Isso pode acontecer quando tem menos de 20 registros, nomes estes que foram excluídos da plataforma. 

Iara e Enarê: Um amor marcado no céu para sempre” é um livro de Elisabeth Christina Rodriguez Bittencourt, que conta a lenda dessas divindades indígenas para o ponto de vista infantil. 


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