terça-feira, 24 de maio de 2016

Anahí


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Segundo as poucas fontes sobre nomes indígenas que temos para pesquisar, Anahí é um nome de origem tupi e quer dizer “bela flor do céu”.

Porém, na fonte seguinte – no caso, o Dicionário de Nomes Próprios - já encontramos “aquela que tem a voz doce”, a partir de uma lenda tupi-guarani, segundo a qual esse era o nome de uma índia que teria sido queimada, e no momento em que ardia em chamas, transformava-se numa flor – a flor da árvore de Ceibo (Cujo nome científico é Erythrina crista-galli).

Segundo a lenda, Anahí era uma índia que gostava muito de cantar, e que vivia feliz em sua tribo, até que invasores chegaram e aprisionaram os índios. Ao tentar se defender e escapar, Anahí acaba ferindo um dos guardas, e seu castigo é morrer na fogueira amarrada a uma árvore. O Ceibo representa, dessa forma, o sofrimento e a coragem, e é conhecida como a flor nacional da Argentina, onde há abundância dessa espécie. No Brasil, essa flor é chamada de corticeira do banhado, ou flor de Aguaí.

O Brasil, o Paraguai e a Argentina tem o privilégio de ser o único habitat dessa flor agreste, escarlate e incrustada em sua árvore mãe. A história da mulher brava e lutadora pela sua liberdade de sua tribo foi cantada em prosa e verso, sendo a mais famosa das canções paraguaias, a Guarânia de Autoria a de Osvaldo Sosa Cordero, com versão portuguesa de José Fortuna, cantada por Cascatinha e Inhana, como também pelo Duo Bauruense (Jorge Luis e Adriana).

Transcrevo a letra da música, em espanhol, cuja interpretação pode ser ouvida aqui e aqui.


Versão paraguaia
Versão brasileira
Anahí,
las arpas dolientes,
hoy lloran arpegio
que son para ti.
Anahí
recuerdan acaso
tu inmensa bravura,
reina guaraní.
Anahí
indiecita fea,
de la voz tan dulce
como el aguai;
Anahí, Anahí,
tu raza no ha muerto,
perduran tus fueros
en la flor rubí.

Defendiendo altiva
tu indómita tribu,
fuiste prisionera.
Condenada ha muerte,
ya estaba tu cuerpo
envuelto en la hoguera.
Y en tanto las llamas
lo estaban quemando,
en roja corola se fue
transformando.

La noche piadosa cubrió tu dolor
y el alba asombrada, miró tu martirio,
hecho ceibo en flor.
Anahí
As arpas sentidas soluçam arpejos
Que são para ti;
Anahí
Teus acordes lembram a imensa bravura
Da raça tupi;
Anahí
Índia flor agreste da voz tão suave
Como aguaí;
Anahí, Anahí
Teu vulto no campo difere entre as flores
Pela cor rubi.

Defendendo altiva
Tua valente tribo, foste prisioneira
Condenada à morte,
Já estava teu corpo envolto à fogueira;
E enquanto as chamas a estavam queimando
Numa flor tão linda se foi transformando.
Os teus inimigos fugiram dali!
As aves ficaram cantando o milagre
Da flor de Anahí.



A lenda, com toques de literatura, foi contada neste blog, que aqui transcrevo:


“Conta-se que Anahí era uma índia tupi, não era formosa e não tinha a menor beleza, mas era dotada de linda voz canora que encantava a tribo, todas as tardes, ao cair do sol. Aproximava-se do manso rio que cortava a aldeia, e ecoava as canções tribais que falavam de suas conquistas e vitórias, seu amor à mãe terra, e aos seus deuses.

Chegou, porém, o homem branco, comandando tropas invasoras; eram os conquistadores espanhóis, matando a muitos, e levando velhos, mulheres e crianças como cativos.

Prisioneira, Anahí não se conformava, e procurava a cada dia uma forma de fuga, até que logrou êxito, fugindo com um pequeno grupo de índias e crianças, porém, o ato foi percebido pelo sentinela com quem lutou bravamente, demonstrando a coragem e a bravura de sua raça, acabando por matá-lo, mas atraindo a atenção dos demais soldados que vieram. Levaram-na de volta ao cativeiro onde foi, em rápido julgamento militar, condenada à morte pela fogueira.

Atada à uma árvore entre troncos e folhas secas, viu-se atear fogo. Anahí bravamente se comportava; enquanto aguardava o momento em que os algozes ateariam fogo, cantava as canções do seu povo, louvando os deuses.

No meio das chamas, viu-se acontecer um milagre: Anahí se transforma em flor incrustada à árvore, numa espantosa fusão, tornando-se cor de rubi, assustando os inimigos que apavorados, dali fugiram, tornando livre a sua raça.

Com sua vida, a flor de Anahí deu liberdade ao seu povo que a consagra, crendo nela haver o poder e a força da fertilidade, e beleza que não tinha”.


Esse nome, independente da veracidade ou não da origem e do significado, vem carregado de simbologia indígena, aliado à associação com a flor e com a história de coragem, bravura e perseverança da índia Anahí. Além de começar com Ana, um nome extremamente usual para todos nós, sua terminação coincide com vários outros nomes indígenas ou não, usados no Brasil em várias gerações como Araci, Ceci.

No estado de São Paulo, de acordo com dados divulgados pela Arpen/SP, em 2015 foram registradas sete meninas chamadas Anahí e nove representantes do nome sem a acentuação, Anahi. É importante também dizer que 66ª posição dos nomes femininos mais registrados no Chile, encontra-se Anahís que, penso, pode ser uma variante de Anahí.

Segundo a ferramenta Nomes no Brasil (Censo 2010, IBGE), são 430 pessoas chamadas Anahí. A maioria foi registrada nos anos 2000, e o estado de maior frequência do nome é Mato Grosso do Sul. Há também 191 pessoas chamadas Anahy

A grafia sem o "h" é mais apreciada: Anaí é o nome de 1.082 pessoas, e Anay de 234 pessoas, supondo é claro, que Anay seja pronunciado da mesma forma. 

A maior representante do nome é Anahí Giovanna Puente Portilla de Velasco,  uma figura pública bastante popular na América Latina. Natural do México, Anahí é cantora, compositora, atriz, modelo e estilista. É conhecidíssima no Brasil pela sua participação na novela “Rebelde”. 




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