quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cersei

Cersei Lannister, na série Game of Thrones, exibida pela HBO,
interpretada pela atriz Lena Headey. 
Este nome configura-se em mais um nome da categoria “nomes literários”, e trata-se de uma inserção recente: é da autoria de George R. Martin, para sua obra Crônicas de Gelo e Fogo, em que a personagem se mantém do livro 1 ao 5 como sendo Cersei, Rainha de Westeros.

Aparentemente, parece que o nome é uma derivação de Circe, a feiticeira, da mitologia grega. Uma bruxa que transformou em porcos todos os companheiros de Ulisses em sua jornada para voltar para casa, e esperava seduzi-lo, e assim fazer um pequeno bastardo (qualquer semelhança com a Cersei de GoT não é mera coincidência).

Se considerarmos Cersei como uma variação de Circe, devemos observar que este é a forma latinizada do grego Κιρκη (Kirke), que possivelmente significa "pássaro".

No entanto, segundo a nossa consultora especializada (muito especializada mesmo), a Shamaim, Cersei é um nome celta, que existe no “mundo real”, pelo menos em uma grafia próxima. 

Talvez George R. Martin tenha bebido na fonte dos nomes celtas muito mais do que na mitologia grega para criar o nome da perigosa e temida Rainha Cersei. Além disso, sendo Tywyn uma palavra celta que quer dizer "casa branca" (ty wyn) e Tyrion ser o plural da palavra galesa Tyr (colina), e sendo que todos os nomes dos Lannister terem uma pontada de origem celta, Martin não colocaria um nome grego no meio.

Com a ajuda da Shamaim, podemos dizer alguns nomes que podem estar na raiz de Cersei: o irlandês Ceara (kée-ra - Cara, em inglês), que quer dizer "vermelho-fogo"; do galês Ceri (kéri) ou Cerys (ké-ris), derivados de caru, "amor" - dada a etimologia de Tywin, a última versão parece mais provável.
Para os fãs dos livros de George R. Martin e da série Game of Thrones, pode parecer estranho que Cersei Lannister seja uma boa associação para um nome próprio. Afinal, ela é uma estrategista traiçoeira, uma vilã, capaz de mandar matar todos os bastardos do Rei Robert, incluindo um bebê. No entanto, uma fala de Cersei resume o por que de acreditar que ela é apenas uma vítima que se defende com as armas que possui:

(…) – Quando pequenos, Jaime e eu éramos tão parecidos que até nosso pai não nos conseguia distinguir. Às vezes, para fazer graça, vestíamos a roupa um do outro e pássavamos um dia inteiro como o outro. Mas, mesmo assim, quando deram a Jaime a primeira espada, não havia nenhuma para mim. “O que eu ganho?”, lembro-me de ter perguntado. Éramos tão parecidos que nunca entendi por que nos tratavam de forma tão diferente. Jaime aprendeu a lutar com espadas, lanças e maças, enquanto eu fui ensinada a sorrir, cantar e agradar. Ele era herdeiro de Rochedo Casterly, enquanto eu estava destinada a ser vendida a um estranho qualquer como se fosse um cavalo, para ser montada sempre que meu novo dono quisesse, espancada sempre que ele desejasse, e com o tempo, posta de lado em favor de uma potra mais nova. O destino de Jaime seria a glória e o poder, enquanto o meu era o parto e o sangue da lua.
– Mas foi rainha de todos os Sete Reinos – Sansa lhe disse
– Quando se trata de espadas, uma rainha é só uma mulher, no fim das contas. (…)

Cersei é uma vítima do machismo, pois convenhamos, a Idade Média não era um tempo muito auspicioso para as mulheres, que não tinham nenhum direito ou mecanismo para se defender de abusos. Ela criou uma estratégia de proteção para si mesma e para seus filhos, o que realmente importava para ela. Pode ter usado de meios muito tortuosos para conseguir este objetivo – além de se manter no poder – mas não podemos esquecer que o jogo dos tronos resume-se a “ganhar ou morrer”.

Por isso, considero a personagem Cersei uma mulher forte, determinada e corajosa. E as mulheres fortes, determinadas e corajosas da História “real” da humanidade, assim como as fictícias, nunca foram modelos de virtude para o que a sociedade religiosa, machista, patriarcal, considera como virtuosidade. Elas precisam jogar e nesse jogo, não há espaço para idealização feminina. Por isso gosto de Cersei e aprendi a gostar muito do seu nome.

Para mim, o nome simboliza tudo aquilo que a personagem é: força, beleza, determinação e estratégia. Qualidades pouco idealizadas para uma menina mesmo em dias atuais, mas que sim, deveriam ser o cerne.

A sonoridade não se torna estranha aos ouvidos das pessoas que falam português, afinal de contas, apesar de ser um nome que eu particularmente não vejo beleza, quantas Marlei's temos nesse Brasil afora? Menos comuns, com a mesma terminação temos Lorelei e Mei. Em inglês, temos vários exemplos como Ainslei, Bailei, Chelsei, Hallei, Kelsei, Hadlei, Courtnei, Hollei, Paislei, entre outros.

A sonoridade da terminação de qualquer modo nos é familiar. Talvez o que não seja é a sílaba inicial, mas temos nomes como Ceres, por exemplo, que se qualifica como mais conhecido e aceitável pelas pessoas.

Em suma, é um nome literário que poderia muito bem migrar para o mundo real. 




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