quinta-feira, 16 de julho de 2015

Franco




Confesso: até pouco tempo atrás meu relacionamento com o nome Franco era unicamente saber da grife masculina Franco George. Ou seja, era completamente indiferente. Tanto que tive dois meninos e esse nome nunca me passou pela cabeça.

Até que conheci uma figura muito simpática, um padre nascido na  Itália mas que trabalhou toda a vida no Brasil, chamado Franco. A forma como ele próprio dizia seu nome me encantou, pois tinha aquele sotaque italiano charmoso que abrilhanta qualquer palavra por mais comum que seja.

A partir daí, o nome passou a figurar entre meus favoritos e hoje encontra-se no Top 5.

Ele é um literal na língua portuguesa, sendo franco adjetivo da pessoa que possui franqueza, assim podemos dizer: “Ele é um sujeito franco” ou “Seja franco”.

Porém, o Behind The Name aponta como uma forma antiga de Frank, que se referia a um membro de uma tribo germânica, os Franks que se estabeleceram nas regiões hoje pertencentes a França e Holanda no século III e IV.

O nome tribal era derivado de um tipo de lança que usavam e assim, desde os tempos medievais, as várias formas desse nome confundem-se com as várias formas do nome Francis. O próprio Behind the Name possui uma segunda versão para o significado do nome Franco, que seria uma contração de Francisco.

Acredito que Franco encaixa-se na linha de curtinhos, modernos, literais e vintage que tanta gente adora. Seria uma ótima alternativa a Pedro que está mega popular e a Bento, que já está ficando enjoativo também pela popularidade. Acredito que ele só não é mais usado por que as pessoas ainda não o descobriram ou não descobriram a beleza que há nele.

Um ponto negativo é que na Europa ele está ligado ao general Francisco Franco, conhecido como General Franco, protagonista de um dos piores períodos ditatoriais da História, enfrentado pela Espanha de 1939 a 1976, a qual foi dado o nome de “Franquismo” em sua referência.

Portanto, dado que foi uma ditadura inspirada inclusive em teorias nazistas, que manteve campos de concentração, situações de tortura e morte de famílias inteiras republicanas, não é uma associação muito agradável.

Entretanto, no Brasil, sou capaz de apostar que são raras as pessoas que fazem essa associação, pelo distanciamento e pela falta de conhecimento histórico. De qualquer maneira, acho melhor assim, por que não é justo um monstro ser o dono do nome para sempre. Fazer com que ninguém mais venha a ter esse nome só vai aumentar a referência a ele como o único “Franco” a ser lembrado, o que com certeza a memória dele não merece.

Para mim Franco ganha pontos por que geralmente gosto de nomes mais curtos e suaves para meninos e nomes fortes e marcantes para meninas – as mulheres já foram subjugadas como sexo frágil durante tempo demais para também terem obrigatoriamente que serem batizadas com nomes doces e delicados, e em contrapartida, os meninos não precisam ser batizados com nomes obrigatoriamente “de macho”, que denotam masculinidade e força.

Esses conceitos são estereotipados e podem ser superados com relação a nomes.

Outro ponto positivo que encontro é que por ser curto, não deriva numa infinidade de apelidos (no máximo Fran, e acho que não pega por que Fran é apelido comum para FranciscoFrancisca, e no Brasil, Franciele).

Fica razoavelmente bem em compostos tanto em primeiro como segundo nome. Também é um nome que não é demasiadamente pesado para um bebê nem exageradamente infantil para um adulto, ou seja, acompanha bem as faixas etárias.

Não é propenso a bullying nem gera apelidos indesejados. Pode gerar alguma brincadeira – que acredito ser leve e sem maiores traumas – com o adjetivo da franqueza. Mas creio que isso não incomodaria ninguém.

Em síntese, creio que Franco é um bom nome que pode ser retirado do limbo e usado novamente na geração atual.



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